Para além do Mês da Mulher: Fundação Grupo Volkswagen promove Reflexão sobre Desigualdades e Violências enfrentadas pelas Mulheres nas Cidades

Episódio especial do videocast Vida em Movimento debate desigualdades de gênero nos espaços urbanos e destaca caminhos para a construção de cidades mais justas, seguras e inclusivas.

O que significa viver nas cidades sendo mulher? Essa é a pergunta que orienta o novo episódio do videocast Vida em Movimento, da Fundação Grupo Volkswagen, lançado em edição especial pelo Mês da Mulher e que propõe ampliar essa reflexão para além da data.

O episódio reúne especialistas de diferentes áreas para debater como as desigualdades de gênero se manifestam dentro e fora de casa, a partir dos dados da pesquisa Viver nas Cidades: Mulheres, realizada em parceria com o Instituto Cidades Sustentáveis e a Ipsos-Ipec.

Os dados são contundentes: sete em cada dez mulheres afirmam já ter sofrido algum tipo de assédio em ambientes urbanos, especialmente em ruas, transportes públicos e no trabalho. Ao mesmo tempo, dentro de casa, a desigualdade persiste, muitas mulheres ainda concentram a maior parte das responsabilidades com o cuidado e o trabalho doméstico.

A mediação do episódio é conduzida por Maria Ruanes Coelho, analista de Impacto Social da Fundação Grupo Volkswagen, que promove um diálogo sensível e aprofundado entre as convidadas: Patricia Pavanelli, diretora de Opinião e Política na Ipsos-Ipec; Fabíola Sucasas, promotora de Justiça do Ministério Público de São Paulo, mestre em Direitos Humanos pela USP e doutoranda em Direito Constitucional pela PUC-SP; e Isabele Quirino, consultora de Diversidade & Inclusão na Volkswagen Financial Services Brasil.

Mesmo quando há a percepção de divisão igualitária nas tarefas domésticas, a realidade revela desequilíbrios estruturais. Como explica Patricia Pavanelli, essa dinâmica tem raízes profundas em uma sociedade historicamente patriarcal. Ela destaca que, além da execução das tarefas, existe a chamada “carga mental” — o planejamento, a organização e a responsabilidade pelo cuidado — que ainda recai majoritariamente sobre as mulheres. “Mesmo quando se diz que o trabalho é dividido, a carga mental é muito diferente”, afirma.

Essa desigualdade, muitas vezes invisível, se reflete também no ambiente profissional. No episódio, Isabele Quirino chama atenção para o papel das lideranças na reprodução ou transformação dessas dinâmicas. Segundo ela, ainda é comum que mulheres recebam uma carga maior de responsabilidades baseada em crenças, e não em competências. “Não é ajuda. É responsabilidade compartilhada”, reforça, ao destacar a importância do envolvimento dos homens e da atuação consciente das empresas.

Se dentro de casa há sobrecarga, fora dela há vigilância constante. O assédio recorrente impacta diretamente a forma como as mulheres vivenciam a cidade. Trajetos, horários, roupas e comportamentos passam por um cálculo contínuo de risco. “O medo programa o nosso dia, a nossa vida”, afirma Isabele, ao evidenciar como esse estado de alerta molda a rotina feminina desde cedo e atravessa gerações.

O episódio também aprofunda os desafios enfrentados pelas mulheres no acesso à justiça e à rede de proteção. Mesmo quando a violência acontece, denunciar ainda não é um caminho simples. Fabíola Sucasas traz exemplos concretos que revelam barreiras estruturais e sociais, como a ausência de Delegacias de Defesa da Mulher em determinadas regiões, dificuldades enfrentadas por mulheres indígenas e a falta de preparo do sistema para acolher mulheres com deficiência. “A Lei Maria da Penha protege as mulheres. Quais mulheres? Esta é a questão”, provoca.

Esses relatos evidenciam que o enfrentamento à violência precisa considerar as múltiplas realidades das mulheres e que o acesso à proteção ainda é desigual. Para Fabíola, os desafios vão além da resposta punitiva: “A responsabilidade é do poder público, mas também da sociedade, das famílias e das escolas. Enfrentar é também prevenir”.

Ao ampliar essa discussão, a Fundação Grupo Volkswagen reforça a importância de manter o tema da equidade de gênero em pauta durante todo o ano. A construção de cidades mais justas, seguras e inclusivas depende de um esforço coletivo, contínuo e estrutural.

O episódio completo está disponível no YouTube da Fundação Grupo Volkswagen e nas principais plataformas de streaming.