Participantes do Empreenda Social apresentam projetos e planos de aplicação do capital sementeDSC03427.jpg
Nos dias 24 e 25 de setembro, 11 empreendedoras do Empreenda Social, em Resende (RJ), apresentaram seus projetos de negócio e os planos de aplicação do capital semente a uma banca avaliadora. Entre os avaliadores estiveram representantes da Fundação Grupo Volkswagen, da Câmara de Dirigentes Logistas (CDL), da UERJ e do Sebrae.
Após um ano de curso, a apresentação foi mais do que o final de um ciclo: foi uma troca de conhecimentos e vivências. A banca destacou a qualidade e a maturidade dos projetos, além da conexão das propostas com as demandas dos territórios. Também foram discutidos pontos de aprimoramento, a sustentabilidade dos negócios e formas de fortalecer cada iniciativa.
O clima de escuta e de diálogo fez de cada apresentação um espaço de aprendizado, tanto para quem apresentava quanto para quem avaliava.
Um dos destaques foi o amadurecimento das participantes, reflexo da trilha socioemocional do projeto. Com segurança, elas defenderam suas ideias e explicaram como pretendem usar o capital semente.
Histórias de superação
Muitas dessas trajetórias começaram com a maternidade. Charla Cristiane de Oliveira e Renata Valeriano são mães atípicas e deixaram o emprego formal para cuidar dos filhos neurodivergentes. Elas encontraram no empreendedorismo uma fonte de renda. Mas só agora, após o Empreenda Social e com o recurso recebido, é que conseguirão, de fato, alavancar seus negócios.
“Ao longo do projeto a gente foi tendo noção do que precisa ser feito para ter lucro e não ficar no prejuízo. Na aula de precificação, por exemplo, aprendi a calcular o valor do transporte que gastava para ir ao mercado, algo que passava batido. Também aprendi que preciso de salário. Então, também tenho que receber pela hora de produção”, explica Charla, proprietária da Delícias da Xaxá.
Com o capital semente, ela pretende comprar máquinas para bater massa, uma estufa e um carrinho para vender na rua os doces e salgados que faz.
Já Renata diz ter aprendido a importância de se ter uma marca e fortalecê-la no mercado. “Eu não tinha uma marca. Eu achava que só as pessoas me conhecerem bastava, porque todo mundo na comunidade sabe quem eu sou. Agora, a marca Valeriano representa multivendas. Vendo de tudo um pouco, e o que não tenho quando me pedem eu vou atrás buscar”, conta.
Para Renata, o capital semente possibilitará mais idas ao Rio de Janeiro, e a compra de novos produtos a baixo custo no atacado. “Posso comprar uma calça bonita por R$ 25 e vender por R$ 59,90. Trarei novidades para a comunidade e ainda terei lucro”. Renata ainda pretende contratar funcionárias para ajudá-la na divulgação da marca e nas vendas.
Autoestima
Segundo as participantes, a banca foi um marco de reconhecimento. Ver seus planos levados a sério por representantes de instituições como Sebrae e UERJ reforça a confiança de que o empreendedorismo pode ser um caminho de autonomia e de cuidado com a família.
Esse momento registra a passagem da ideia para o plano, e do plano para a prática. E da prática para a mobilidade social.