Evento reuniu especialistas para discutir os impactos da inteligência artificial no mercado de trabalho, na inclusão produtiva e no terceiro setor
A inteligência artificial já está mudando a forma como trabalhamos. Ela escreve textos, organiza informações, apoia decisões e executa tarefas que, até pouco tempo atrás, dependiam exclusivamente da ação humana. Mas qual o impacto dessa tecnologia que avança em velocidade recorde no mercado de trabalho?
Foi a partir dessa reflexão que a Fundação Grupo Volkswagen realizou a 9ª Jornada do Conhecimento, reunindo especialistas, lideranças empresariais, representantes do terceiro setor e pesquisadores para discutir um dos temas mais urgentes da atualidade: como garantir que a revolução tecnológica seja também uma oportunidade de inclusão.
Mais do que falar sobre ferramentas, tendências ou inovação, o encontro propôs uma conversa sobre pessoas.
O futuro não impacta todos da mesma forma
A abertura da Jornada trouxe os resultados da pesquisa “IAí? Construindo oportunidades para todos no mercado de trabalho”, apresentada por João Victor Archegas, pesquisador do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio (ITS Rio), e por Vivianne Naigeborin, superintendente da Fundação Arymax.
O estudo ressalta que os efeitos da inteligência artificial não serão distribuídos de forma igual. Mulheres, pessoas negras, trabalhadores mais velhos e grupos em situação de vulnerabilidade tendem a ocupar funções mais suscetíveis à automação. Isso significa que, sem planejamento, políticas públicas e estratégias de inclusão, a tecnologia corre o risco de ampliar desigualdades que já existem.
Ao mesmo tempo, os pesquisadores reforçaram que o futuro ainda está em aberto. A inteligência artificial não é um fenômeno inevitável que acontece sozinho. Ela é resultado de escolhas, elas podem ser orientadas para ampliar oportunidades, fortalecer capacidades e criar novos caminhos de desenvolvimento.
Produtividade para quê?
Giovanni Pessin Moschetto, gerente de Estratégia, Princípios de RH e Desenvolvimento de Pessoas da Volkswagen Caminhões e Ônibus, e Luís Fabiano Penteado, presidente do Conselho de Curadores da Fundação Grupo Volkswagen e diretor de Pessoas, Jurídico, Compliance e Assuntos Governamentais da Volkswagen Financial Services Brasil, discutiram os impactos da IA no ambiente corporativo. E enfatizaram que a produtividade, por si só, não é o objetivo.
Ao longo da história, cada revolução tecnológica aumentou a capacidade produtiva das organizações. Agora, com a inteligência artificial, esse movimento ganha uma nova dimensão. A questão é o que faremos com esse ganho.
Mais eficiência pode significar melhores serviços, mais inovação e mais desenvolvimento. Mas também exige preparação, aprendizado contínuo e novas competências. Em um cenário de mudanças constantes, habilidades como criatividade, comunicação, pensamento crítico e capacidade de adaptação tendem a se tornar ainda mais valiosas.
O que muda para o terceiro setor?
A segunda mesa ampliou o debate para o campo do impacto social. Participaram a pesquisadora e Visiting Fellow no Skoll Centre da Universidade de Oxford Célia Cruz, e Gustavo Bernardino, gerente de Programas e Práticas da Filantropia no GIFE.
A discussão mostrou que a inteligência artificial já começa a transformar a forma como organizações sociais produzem conhecimento, avaliam resultados, sistematizam dados e desenvolvem soluções para desafios complexos.
Ao mesmo tempo, os especialistas alertaram para a necessidade de uma adoção consciente da tecnologia. Questões como ética, transparência, governança e vieses dos sistemas precisam fazer parte da conversa desde o início.
O desafio não é apenas usar a inteligência artificial, mas compreender como ela pode servir ao interesse público e contribuir para gerar impacto positivo.
Uma conversa sobre tecnologia e sobre sociedade
Ao final da Jornada, ficou evidente que falar sobre inteligência artificial é falar sobre muito mais do que tecnologia. É falar sobre acesso, educação, qualificação profissional e mobilidade social. É discutir quem participa das transformações e quem corre o risco de ficar à margem delas.
Para a Fundação Grupo Volkswagen, promover esse debate é uma forma de contribuir para que inovação e inclusão avancem juntas. Porque o futuro do trabalho não será definido apenas pelos avanços tecnológicos, mas pelas decisões que tomarmos agora para garantir que mais pessoas possam construir seu próprio caminho.